segunda-feira, 27 de junho de 2011

De qual lugar?

Engraçado, faz tanto tempo que não escrevo que até acho que andei perdendo o jeito para tal coisa. Andei num hiato de criatividade que eu nem eu mesma sei explicar o porquê. Falta de tempo, muito trabalho, poucas histórias... Não, nada disso justificaria minha ausência, até porque tenho passado por tantas pendengas de mulherzinha que tem história de sobra pra contar aqui. Mudei de casa, de cidade, de rumo, de prumo e até agora não sei bem aonde que eu tou indo. Todos os dias, impreterivelmente, abro os olhos pela manhã e me pergunto (ao me dar conta de que não estou na minha cama de sempre, na qual permaneci todas as noites por 29 anos): - mas o que diabos eu tou fazendo aqui?

Verossímel ou não, o fato é que a descrição do sagitariano cai nas minhas costas como uma luva e essa rotatividade do mundo me deixa tão fascinada que não vejo outra alternativa senão correr atrás da mudança. O que nunca nenhum horóscopo me contou é que no meio desse processo astral existe um negócio chamado saudade, que corrói a gente por dentro e faz doer cada metro de distância que separa os meus pés de hoje da minha vida de 8 meses atrás. Arrependimento é uma palavra que não faz parte do meu vocabulário, mas olhar pra trás e não sentir o colo sempre presente da minha mãe e do meu pai, assusta e faz chorar compulsivamente.

Ainda assim não sou dessas que não sabe a que veio. Posso estar nesse meu ócio não-criativo, mas sei perfeitamente que mudar é preciso e, como diria Chico Science (que Deus o tenha, amém), um passo a frente e já não estamos no mesmo lugar.




E qual é o meu lugar? Não achei a resposta pra essa pergunta, mas tenho certeza que não faz parte de mim ser estática. Sou livre e isso me basta, ponto.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O desabafo do 'não'

Você pode ouvir todo tipo de impropério diariamente; podem te dizer as coisas mais terríveis rotineiramente e nenhuma delas vai te fazer sentir vontade de deixar tudo pra trás. Mas tem um dia que alguém te fala uma frase tão específica que aquilo tudo passa a ter um efeito devastador sobre a sua tranquilidade, que chega então a hora de parar, respirar fundo e pensar: o que eu tou fazendo aqui? Nesta semana eu ouvi duas coisas que me tilintaram no juízo horas seguidas até fazerem o estrago necessário para tomar coragem de dizer o não que algumas pessoas necessitavam ouvir. Chega uma hora na vida que não há dinheiro no mundo que pague a tranquilidade de uma noite bem dormida ou a paz de não ter um celular tocando em pleno domingo com pepinos, abacaxis e alcachofras para descascar. Demora pra gente entender, mas chegar aos 30 nos dá a sabedoria (em alguns momentos apenas) de entender que tudo tem limite e todas as pessoas no mundo não têm só a obrigação, mas o verdadeiro dever de respeitar as outras, independente de função, cargo ou autoridade. Quando você olha pro que faz e só consegue sentir vontade de cagar e andar pra tudo, é chegada a hora de parar, pensar e indagar se já não é hora de mudar. Meu espírito aventureiro me manda ir embora, com a certeza de que posso quebrar a cara mais na frente, mas com o alívio de que pelo menos vou quebrar menos infeliz do que se continuasse onde estou. Caminhar é preciso, sabendo que nos rumos de minha vida mando eu. E hoje, quando eu fraquejar, vou ter quem leve minha mão e me faça seguir em frente.
É isso.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Home

Let me go HOME
I'm just too far
From where you are
I wanna come home



No more.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

De lugar nenhum

Um dia você se pega na frente do computador olhando pra página do google sem nem saber o que procurar. De repente começa a tocar uma antigona no rádio e você vai enchendo os olhos de lágrimas e nada parece fazer sentido. É como uma analogia daquela música dos Tribalistas, que diz que você não é de ninguém; de repente você passa a ser de lugar nenhum. Você volta pro canto de onde saiu e não se sente mais parte do cenário; você chega no lugar novo e não consegue se inserir na decoração: é como um quadro de Andy Warhol na corte de Luis XV. Mas aí toca outra música e chega mais uma vez no peito aquela vontade de alçar vôo...Não sei mais a qual lugar pertenço, mas sei que se objeto fosse, seria um daqueles que o vento pode levar.





Filosoficamente falando. Claro.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Queimando os neurônios

Qto mais eu penso, mais certeza eu tenho de uma coisa: as pessoas estão eternamente insatisfeitas. Umas mais que outras, é verdade, mas não há uma só pessoa no mundo que seja capaz de dizer: estou satisfeito com tudo que tenho! O fato é que estamos sempre esperando da vida alguma coisa a mais, um plus que nos faça vibrar diariamente por ela. Esquecemos, no entanto, que vida é feita de dias iguais, de pessoas iguais e de atividades parecidas. O que muda é o nosso modo de vê-las. A mesma pessoa tá lá do lado há anos e tantas vezes só se consegue ver o quão tediosa ela pode ser. Sabedoria é mudar as pessoas do convívio? Não, sabedoria é saber olhar diferente para a mesma pessoa todos os dias. Eu, a muito custo, aprendi a não esperar muito de ninguém, pq justamente de quem a gente mais espera é quem menos nos dá. E nessa filosofia de vida, Seu Gê, meu querido pai , me ensinou que cada um só dá o que tem: na sua medida, na sua proporcionalidade, oferecemos aquilo que somos. E muitas vezes, tantas vezes é verdade, temos de volta somente aquilo que ofertamos. É muito fácil levantar as mãos cheias de pedras e atirar nas atitudes alheias. Difícil mesmo é olhar pra dentro da cachola e se perguntar: será que o erro é mesmo alheio?

Vejo tanta gente reclamando, se dizendo só, culpando os outros pelas mazelas e infelicidades da própria vida. Atirar pedra no telhado alheio é o melhor esporte para o covarde, aquele que sempre vê nos outros o motivo de seus problemas. Dificuldade todo mundo tem, assim como dias ruins, dias trágicos, dias bons, dias felizes. Viver é assim: é saber que não estamos numa novela e que não há finais felizes sempre. O grande lance é saber dar a volta por cima. Eu, falando só por mim, não acredito nas mazelas de gente eternamente reclamona. Qdo se reclama demais da vida, sentindo-se a mais injustiçada das criaturas, tenha certeza: esta é a pessoa que mais comete injustiças com os outros. Apontar é fácil, assumir uma posição é que é difícil.

E eu, cada vez que penso em fraquejar, mesmo me sentindo a pior das criaturas, sempre pratico um exercício que, por mais trágico que seja, me faz seguir em frente: imagino as pessoas que não podem se locomover, que não enxergam, que não podem falar; imagino tb os que não são livres pra dizer o que querem, os que não tem onde morar, sequer o que comer; penso naqueles que gostariam de estar no meu lugar do mesmo jeito que às vezes penso em estar no lugar de alguém. Penso, inclusive, em como é bom ter meus olhos míopes, meu nariz de rinite alérgica, minha boca cheia de aftas, meus ouvidos sensíveis ao barulho e minhas mãos machucadas de tentar agarrar o mundo. E,mesmo dando todas essas qualidades não tão linsonjeiras aos meus sentidos, eles todos estão lá, me fazendo perceber o mundo em minha volta, sabendo que aprendo um pouco com cada pessoa que atravessa minha vida. Algumas delas deixando lições maravilhosas, outras nem tanto. Mas o que me importa, ao final, é saber que todas elas, de alguma forma, sempre me ensinaram alguma coisa. 

Quero? Quero muito da vida ainda. Mas meus primeiros cabelos brancos, devidamente tingidos pela cosmética moderna, já andam me ensinando que nessa vida não há somente vilões. A verdade é que até os mocinhos nos fazem chorar, bem como o pior dos algozes, pode nos arrancar um sorriso ao partir.

Viver é fácil. Difícil é descobrir isso.

sábado, 19 de junho de 2010

Feito cego em tiroteio.

Meia noite. Depois de um dia completamente exaustivo, eu deitei a cabeça no travesseiro  esperando apagar ante o cansaço que meu corpo está sentindo. O corpo padece, mas a mente não para. Às vezes eu sinto uma falta absurda de um interruptor que eu pudesse apertar e click!, minhas sinapses apagariam sem maiores consequências e eu dormiria, leve e tranquila, pra só ligar nos problemas do dia seguinte. Mas não dá, no sexto dia (será que foi o sexto? sei lá, perdi a aula de religião) da criação me colocaram um baço, mas esqueceram da merda do interruptor. Hj eu tive um dia daqueles. Daqueles com d maiúsculo que a gente só consegue pensar: fudeu. E, no meio da TPM (lei de murphy), arrumo um problema do tamanho do everest digno de filme de terror. Pq caralho a gente precisa crescer? Pq precisa parar de se preocupar com prova, faculdade e afins? Pq precisa sair de uma época tão estressante pra entrar numa paranóica, que é pior ainda? Crescer né fácil não. E lidar com as pessoas que cresceram junto da gente e que estão aí com problemas nos deixando de mãos atadas é como ser um cego americano no meio da talibanada do Afeganistão. 

O cego, no caso, sou eu. Ê gente, dormir né mole não.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A solução

Depois de muito pensar e queimar neurônio, eu resolvi dizer assim, ó:








Será que ele entendeu? Pelo menos a foto ficou engraçadinha. Nhé.




quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Quando?

Ela, um dia, escreveu sua música predileta num coração recortado de papel vermelho, assinou e postou no correio, coração aos pulos, esperando ansiosamente o impacto que aquelas palavras iriam ter. Ele, então, alguns quilômetros e dias à frente, recebeu o envelope, achou graça do coração mal recortado mas sentiu-se abraçado pelo sentimento que carregava aquele pequeno pedaço de papel.


Tanto tempo longe de vc, quero ao menos lhe falar
A distância não vai impedir, meu amor, de lhe encontrar
Cartas já não adiantam mais, quero ouvir a sua voz
Vou telefonar dizendo que eu estou quase morrendo de saudade de vc


Eu te amo, eu te amo, eu te amo...





40 anos depois, eu, o fruto concreto dessa história (ha ha ha), tenho pensado frequentemente em como as pessoas dizem eu te amo. Nesses tempos de internet, orkut, facebook, twitter e tantos lugares impróprios de se jogar confete, a frase emblemática virou tão comum qto fritar ovo pra comer com pão. Não que fritar ovo não seja uma arte, mas é, digamos, uma arte bem primária, vamos convir.  Minha mãe, há 4 décadas, morta de saudades do meu pai - então namorado - e separada dele por cidades diferentes, num mundo onde não tinha email, telefone era difícil e msn era coisa impensável, deu seu jeito de driblar o binômio espaço-tempo e, sem medo de ousar, mandou ver na declaração de amor, sem medo de ser feliz e, muito menos, sem pagar direitos autorais ao perneta (vulgo Robertão). Parece tão mais fácil dizer eu te amo assim, né? Mas se trata de uma decisão  tão séria pra se tomar na vida... Sentir-se amando alguém é uma responsabilidade tão grande qto aquela fábula do Pequeno Príncipe - tu te tornas responsável por aquilo que cativas . Amor, na sua essência, é o sentimento mais altruísta que se tem notícia. Falar sobre ele não pode ser tão banal a ponto de se dizer pra todo mundo, qualquer um, qualquer grupo, qualquer amigo, qualquer parente ou qualquer pessoa que esteja ao nosso lado. Amar é uma coisa tão séria qto respirar, comer, pensar... Exige respeito, consideração, e, mais do que afeto, exige entrega. A entrega absoluta de dizer: tome aí meu coração, gosto de vc independente do que vc possa sentir por mim. Demora pra gente sacar isso. Demora pra gente entender qdo é de verdade, demora pra cacete. Mas qdo a gente entende quem realmente pode fazer a diferença...

Essa não é uma reflexão qualquer, não está escrita à toa ou para qualquer um.  Está aqui pq adorar  tem se tornado um verbo pequeno e eu tenho me borrado de medo de admitir tal coisa. Fico dialogando com meu pouco juízo horas e horas antes de dormir, calculando tempo, hora e lugar marcado. Cedo ou tarde? É tempo? E é aí que, sem querer, eu ligo o rádio e acabo escutando uma música que há tempos não ouvia e,  como numa resposta ao meu pensamento, diz assim:

E hj em dia, como é que se diz eu te amo?


Renato Russo (música: Vamos fazer um filme) já perguntava isso há tanto tempo e eu nem tinha me dado conta de como é importante essa reflexão.







Então vem a minha mente perigosamente geniosa e modesta para acrescentar: E hj em dia, QUANDO é que se diz eu te amo?

 

Hein? Alguma sugestão? Nhé.










P.S.  E desde qdo o amor tem tempo?  


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Precisando ser leve



Começo de ano é sempre aquela euforia, muitos planos, muitas ideias na cabeça, muita esperança de que tudo seja melhor pelos próximos 12 meses. Não sei pq, mas meu começo de ano está sendo meio melancólico. Desconfio que seja algum hormônio descompensado, que esteja fazendo minha TPM durar mais que de costume. Talvez seja um certo comedimento de pensar que é apenas um dia após o outro, sem grandes diferenças práticas. Mas, de verdade, tem diferença sim. Ando meio frustrada (profissionalmente falando) e isso vem somado a uma incerteza financeira que está tirando a tranquilidade da minha insônia. Sim, pq deixar de dormir eu deixo sempre, feliz, triste, alegre ou melancólica. Mas daí a ficar com taquicardia cada vez que penso na incerteza que anda povoando minha conta bancária, confesso que a insônia fica bem menos divertida. Odeio me sentir vulnerável. Odeio me sentir assim. Odeio ficar à mercê de sentimentos que me deixam pra baixo, mas não tou conseguindo segurar a onda pacificadora, parece que tudo vem rolando na cadeia de uma tsunami dentro da minha cabeça. Como escrever sempre me dá um alento, tentei vir aqui fazer o primeiro post do ano em clima de enterro outono, pra ver se a coisa começa a fluir menos negativamente nas minhas ideias. A minha sorte é que praticamente ninguém lê essa outra bosta, e, portanto, não vai acabar se influenciando pelas minhas palavras de pouca animação.

É claro que tenho motivos pessoais pra achar que alguns setores da minha vida andam bem, obrigada. Mas uma insegurança pessoal está se refletindo e eu não me sinto boa o suficiente pra o quê ou quem quer que seja. Sei que é fase e, como tal, vai passar. Afinal, como diria minha boa avó, depois da tempestade, vem o desmantelo de arrumar a casa. Depois, o prazer de ver tudo arrumadinho. E por fim a felicidade de desfrutar tudo de novo. Tomara que seja assim mesmo, pq eu não me aguento mais, tou precisando de férias dessa mulher carrancuda e mal humorada dos últimos dias. Sei lá, tou precisando ser leve de novo.

Talvez dieta ajude. Nhé.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Para você...

Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono. 


Pablo Neruda 



Só Neruda, meu poeta favorito, para dimensionar como têm sido bons os últimos meses nos quais vc se fez presente em minha vida. É uma declaração de amor despretensiosa, assim como simples é o que eu sinto por vc. De tão simples que se torna complexo e toma conta da minha vida; de tão simples que me faz sorrir ao menor pensamento que traga vc; de tão simples que já nem sei mais como era ser feliz sem a sua presença. Agradeço, meu querido, por esses dias de pura magia. 




Adoro Você!