Engraçado, faz tanto tempo que não escrevo que até acho que andei perdendo o jeito para tal coisa. Andei num hiato de criatividade que eu nem eu mesma sei explicar o porquê. Falta de tempo, muito trabalho, poucas histórias... Não, nada disso justificaria minha ausência, até porque tenho passado por tantas pendengas de mulherzinha que tem história de sobra pra contar aqui. Mudei de casa, de cidade, de rumo, de prumo e até agora não sei bem aonde que eu tou indo. Todos os dias, impreterivelmente, abro os olhos pela manhã e me pergunto (ao me dar conta de que não estou na minha cama de sempre, na qual permaneci todas as noites por 29 anos): - mas o que diabos eu tou fazendo aqui?
Verossímel ou não, o fato é que a descrição do sagitariano cai nas minhas costas como uma luva e essa rotatividade do mundo me deixa tão fascinada que não vejo outra alternativa senão correr atrás da mudança. O que nunca nenhum horóscopo me contou é que no meio desse processo astral existe um negócio chamado saudade, que corrói a gente por dentro e faz doer cada metro de distância que separa os meus pés de hoje da minha vida de 8 meses atrás. Arrependimento é uma palavra que não faz parte do meu vocabulário, mas olhar pra trás e não sentir o colo sempre presente da minha mãe e do meu pai, assusta e faz chorar compulsivamente.
Ainda assim não sou dessas que não sabe a que veio. Posso estar nesse meu ócio não-criativo, mas sei perfeitamente que mudar é preciso e, como diria Chico Science (que Deus o tenha, amém), um passo a frente e já não estamos no mesmo lugar.
E qual é o meu lugar? Não achei a resposta pra essa pergunta, mas tenho certeza que não faz parte de mim ser estática. Sou livre e isso me basta, ponto.





